6 de abril de 2010

Poema do Pescador


Eu não sei de oração senão perguntas
Ou silêncios ou gestos ou ficar
De noite frente ao mar não de mãos juntas
Mas a pescar…

Não pesco só nas águas , mas nos céus
E a minha pesca é quase uma Oração
Porque dou graças sem saber
Se Deus é sim ou não...

Manuel Alegre

A folha na festa

No meio do Caminho

3 de abril de 2010

A vida num sonho


Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato de Faria

O Funcionário Cansado